Fracções de índios em directo

#Fátima Correia#
Santo só foi Deus. Somos todos pecadores, rebeldes, egoístas. Há um vazio na nossa alma, temos a consciência à deriva, mas somos amados por Deus. Foi Deus que nos escolheu e Deus tem o seu tempo. Muitas vezes queremos tudo à pressa, mas temos que saber esperar. Deus vai-nos encaminhar. Temos de andar em paz, amar o próximo. Temos que amar os inimigos.

#Joaquim Mestre#
Até ao 25 de Abril a vida foi difícil. As dificuldades maiores foram sempre de Inverno. Vendavais, chuva e até mesmo o mar... Mas o mar é a minha vida, tenho apanhado bons cagaços no mar... Num vendaval, o barco meteu-se todo debaixo do mar, agarrei-me ao meu pai, metade dos pescadores morreram…

#Jorge Rosa#
No início eram 41 casas, depois foram precisas mais. Quando veio essa oportunidade foi uns atrás dos outros. Por ser tudo família é porque há mais união, somos todos primos uns dos outros, as pessoas que vieram para cá vieram todas do mesmo sítio. Não é como antigamente mas há união.

#Bartolomeu Dias#
Ser pescador hoje em dia não é fácil, é uma profissão em vias de extinção. Para se tirar o curso são precisos 6 meses. 6 meses para se ser pescador... Não há moços novos no mar, vão todos para as obras, para indústria hoteleira. Antes era mais fácil, tinha-se as cédulas mais cedo, os novos fogem da lei do governo... Ter um barco é uma grande responsabilidade. Chega a um certo ponto que vai enjoando, por causa das leis, cada vez vai sendo pior... no fim de tudo quem fica a perder é o pescador. Vendem-se cavalas a 2 e a 3 euros e na lota vendem-nas a 12 euros. Somos nós que temos que pagar tudo!

#Família Ferreira#
O bairro cada vez está pior, as ruas só têm lixo, o bairro não está nada desenvolvido. Há mais de vinte e tal anos que está assim. O presidente da Câmara de Lagos não ajuda, diz para se fazerem ruas mas ninguém as faz. Há 26 anos que está assim, só vêm ao Bairro quando há eleições. Chamam-nos índios da Meia-Praia porque morávamos em barracas feitas de barrão, mas não ficamos ofendidos... O Zeca Afonso é que cantou os índios da Meia-Praia... A malta mais velha são pescadores, os mais novos são pedreiros. Primeiro trabalhavam na arte de arrastar, só depois é que apareceram os barcos. A malta nova é a malta dos 7 ofícios, trabalham nas obras, na pesca, nas artes...

#Maria Rita#
Pedíamos de porta em porta, a minha mãe trabalhava na fábrica, era uma miséria. Viemos a pé de Monte Gordo, demorámos 3 dias a chegar aqui e fomos morar para perto do forte, havia umas barracas em rede. A minha vida era andar nas artes de arrastar, ia vender umas canastras de peixe por todo o lado... Não havia dinheiro. As últimas barracas eram em platex...aí era outra coisa! Depois veio o 25 de Abril e veio uma série de gente ajudar a construir as casas. Ofereceram-nos um fundo e com o nosso trabalho contribuímos para as nossas casinhas. Durante 25 anos.

1 comentário:

disse...

Assinem e divulguem a Petição pela Preservação e Requalificação do Bairro dos Índios da Meia Praia em Lagos http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=indiosMP