Instalação - Margens do coração e alguma razão


#sinopse#
margens com coração e alguma razão instalação pedro sena nunes A voz de uma imagem separa-nos do passado, um tempo e um lugar que escurecem dia-a-dia à velocidade dos anos. Imagem do nada e da transparência. A transformação invisível dos sentidos. É meu desejo aprofundar esta relação de auto reconhecimento, aprofundar a dúvida e o desequilíbrio que a criação provoca na vida. Um corpo representa sempre um corpo, procuro na representação do corpo apenas o seu envelhecimento. O corpo para ser lido e dito não se compadece com o outro lado da “sala”. Os nomes colam-se aos corpos desde que nascemos, pertencemos a ficheiros com gavetas. Sobrevivemos aos solavancos das palavras que nos dizem. Uma projecção feita de duas imagens projectadas numa parede branca. Duas imagens, duas gerações. Dois rostos, dois movimentos, duas respirações que se tocam ao longe. Uma respiração velha e outra recém-nascida. Dois olhares. Quatro olhos, formato panorâmico. Uma avó, uma bisneta. O que verá cada uma das mulheres?
#ficha técnica#
realização – pedro sena nunes
intervenientes - marta mar, rita sena
música - vasco martins, gyia kancheli

Realizador, Produtor, Fotógrafo e Três vezes Pai

Realizador, Produtor, Fotógrafo, Viajante e três vezes Pai, nasceu em Lisboa a 18 de Maio de 1968 com 2,780 Kg. Terminou o Curso de Cinema em 1992, depois de frequentar Engenharia de Máquinas no Instituto de Engenharia de Lisboa em 1989. Co-fundou a Companhia Teatro Meridional, na qual é responsável pela área audiovisual. Entre Barcelona, Lyon, Sitges, Budapeste, Lisboa e Florença participou em cursos e workshops de cinema, fotografia, vídeo, teatro e escrita criativa. Realizou documentários e ficções em cinema e vídeo e produziu mais de 100 spots publicitários para a televisão e rádio. Foi bolseiro de várias instituições.
Regularmente colabora com coreógrafos, encenadores, artistas plásticos, actores, designers, músicos e arquitectos. Tem sido convidado para participar em conferências nacionais e internacionais. Foi júri em concursos e festivais de fotografia, teatro, design, dança e cinema. É consultor artístico da Associação Vo’arte. É também consultor de algumas outras associações e projectos artísticos pontuais. Nos últimos doze anos tem-se dedicado muito à área da pedagogia, criando e dirigindo laboratórios dedicados à criação e à experimentação, tanto documental, como ficcional. Foi professor convidado na Escola Superior de Teatro e Cinema, Fórum Dança, Instituto Piaget, Escola Ana Wilson, Glasgow Film and Vídeo Workshop, Centro Em Movimento e ETIC – Escola Técnica de Imagem e Comunicação. Destaque para a sua colaboração, como consultor, com o Ministério da Educação na reforma do ensino artístico. Relativamente à ETIC, é formador há oito anos, coordenador de projectos e formações há 3 anos e há dois anos assumiu a responsabilidade pela Área de Imagem e Som. No seu extenso currículo, Pedro Sena Nunes conta com inúmeros prémios e distinções nas áreas de fotografia, vídeo e cinema.

Projecto Microcosmos

MICROCOSMOS - a pele de um país
Continúo a mapear, no escuro.
O projecto cresce, torna-se visível, e cresce com ele a vontade de continuar a encontrar microcosmos representativos de algumas essências de cada província portuguesa. MICROcosmos é uma série de documentários. Um documentário por província. Entre acasos diversos e momentos imperfeitos, filmei em Trás-os-Montes, Minho, Beira Litoral, Beira Baixa e Algarve. Beira Alta será o próximo território que acrescentarei neste mapa.
A memória de um país pode ser retratada de forma imperturbável e a reflexão sobre as feridas profundas de uma sociedade trazidas para primeiro plano. Espero que a sugestão que vou fazendo através do projecto MICROcosmos se torne formas directas de afrontar as questões que se colocam à minha volta.
O país que não faz o seu retrato de família que futuro terá? Esta é a célebre questão colocada pelo realizador Patrício Guzman. O acervo é fundamental, o mapa é desejado. Estarei disponível para o encontro e para o desencontro. Quero filmar nos labirintos da memória. Procurar nos mais visionários a força de um sonho há muito MICROdesperto.

Press - microcosmos









Reflexão sobre o Documentário Português


Não devemos perder de vista a renovação inigualável que o documentário de criação português sofreu. Neste sentido, este é um período primordial da nossa cinematografia. Em Portugal nunca existiu uma tradição vincada do género documental, mas podemos hoje observar a existência de uma plataforma de orientação que tem ajudado a criar um lugar para o documentário na História do Cinema Português. O nascimento do documentário nacional tem lugar marcado na história, através do primeiro plano documental, nos anos 20, da saída dos operários da fábrica Nacional no Porto, tirando da palavra documentário a sua riqueza e o seu sentido total: um plano, uma intenção, um ritmo, uma decisão, a essência do cinema. Com o decorrer dos anos, o documentário português foi perdendo interesse, tornando-se muitas vezes num veículo de propaganda. Foi a geração de 60 que dignificou o documentário em Portugal, utilizando novos métodos de produção e realização, bem como técnicas inovadoras, influenciadas, sobretudo, pela aprendizagem nas escolas de cinema estrangeiras e pelo contacto directo com outros olhares e formas de registar e interpretar a realidade. Vários filmes surgem conduzidos pelos realizadores Fernando Lopes, António Macedo, Alfredo Tropa, Faria de Almeida, Rui Simões, António Campos, António Damião, F. Costa, António Pedro Vasconcelos, Carlos Vilardebó, António Reis, Seixas Santos, etc. Com o 25 de Abril de 1974, sem censura e com o apoio do Instituto Português do Cinema (IPC) e da Rádio Televisão Portuguesa (RTP), o documentário português conheceu uma nova fase, sobretudo, com o chamado "cinema de intervenção", que permitiu o aparecimento de novas pessoas a fazerem este género de cinema: entrevistas em directo, ilustradas por aspectos humanos envolvidos no problema social ou político em análise. Um dia fui convidado a criar o programa pedagógico para a Cadeira de Cinema Documental da Escola Superior de Teatro e Cinema, e encontrei no livro Cinema Documental de Manuel Faria de Almeida, datado de 1982, uma passagem que se prende com o início da minha reflexão: Se as «arrancadas» são cíclicas, qualquer dia surgirá nova revitalização do género documental. Penso que "essa nova" fase se começou a desenhar no início de 1996, através da vontade invisível de se falar, discutir, entender e defender o documentário. Muito embrionariamente, nascia a terceira fase do documentário português. Para tal contribuiu a concentração de energias de criadores e técnicos, com origens tão diferentes como cinema, antropologia, etnologia, educação, sociologia, vídeo, etc; energias essas que se foram cruzando, na minha opinião, ao longo destes dez últimos anos em debates e confrontações, enriquecendo e renovando com vigor inconfundível o género documental. Parte deste fenómeno deve-se à atenção despertada pelos, internacionalmente reconhecidos, Encontros de Cinema Documental, que nas suas nove edições anuais, fiz parte da direcção da última edição, e numa nova fase de abertura do nosso país ao exterior, criaram um espaço de exibição, divulgação e competição para os documentários portugueses, bem como a possibilidade de confrontação dos realizadores nacionais com documentaristas estrangeiros através dos seus filmes ou através da sua presença nos Encontros da Malaposta. Também os diferentes canais televisivos, alguns sujeitos ao cumprimento de protocolos, outros ao cumprimento de contractos, têm-se implicado nesta causa em defesa de um espaço para o documentário português, mas muitas das vezes de forma bastante descuidada. É lógico que hoje, na era digital, começam a estar muito difusas as fronteiras técnicas de cada trabalho. Sem dúvida que os processos laboratoriais e tecnológicos têm revolucionado, influenciado e provocado novos métodos de produção e realização de documentários. Em Portugal, também, a agilidade que estes mesmos novos processos técnicos proporcionaram ao acabamento de muitos projectos documentais foi decisiva. A sucessiva, e bem sucedida, representação portuguesa de filmes e vídeos em festivais e encontros internacionais de documentário marcou o desencadeamento e respectivo nascimento do terceiro ciclo do documentário nacional. Temos nos últimos dois anos, alguns surpreendentes exemplos de exibição comercial de documentário em sala. Hoje sem dúvida que o Festival Doclisboa conquistou um lugar de excelência no panorama do documentário nacional e internacional. Também o Doc´s Kingdom procura discutir de forma profunda as tendências do cinema documental de todo o mundo em Serpa.